Nos níveis de inglês para currículo, o mais seguro é declarar básico, intermediário ou avançado e, ao lado, a correspondência no quadro europeu de referência (CEFR), de A1 a C2, só se você realmente consegue sustentar esse nível numa conversa. Colocar um nível acima do real é um erro que costuma aparecer logo: basta o entrevistador fazer a primeira pergunta em inglês.
A seguir, cada nível aparece ao lado do que a pessoa consegue fazer e de um exemplo de como escrever no currículo. Depois vêm o LinkedIn, os cursos em andamento, a versão em inglês do documento e as formas de comprovar o nível quando pedirem.
O que significam básico, intermediário e avançado
Os termos "básico, intermediário e avançado" são os mais usados em currículos brasileiros, mas não têm definição padronizada: cada escola e cada empresa entende de um jeito. É por isso que vale juntar a eles a escala CEFR (Common European Framework of Reference for Languages), usada em muitos países como referência comum. Ela tem seis níveis, de A1 a C2, e descreve o que a pessoa consegue fazer com a língua.
Níveis de inglês para currículo: tabela com CEFR e exemplo de escrita
| Nível | CEFR | O que a pessoa consegue fazer | Como escrever no currículo |
|---|---|---|---|
| Iniciante | A1 | Entende e usa expressões muito simples; se apresenta e faz perguntas básicas sobre dados pessoais | Inglês: básico (A1) |
| Básico | A2 | Comunica-se em situações rotineiras e simples, como compras, trabalho e família | Inglês: básico (A2) |
| Intermediário | B1 | Entende o essencial de assuntos conhecidos, se vira em viagens, descreve experiências e planos de forma simples | Inglês: intermediário (B1) |
| Intermediário superior | B2 | Interage com certa naturalidade, entende textos mais complexos e defende opiniões com argumentos | Inglês: intermediário avançado (B2) |
| Avançado | C1 | Usa a língua de forma flexível para fins sociais, acadêmicos e profissionais; entende textos longos e exigentes | Inglês: avançado (C1) |
| Proficiente | C2 | Entende praticamente tudo e se expressa com precisão, mesmo em assuntos complexos | Inglês: fluente / proficiente (C2) |
Use a tabela como guia, não como sentença: uma pessoa pode estar em B2 para leitura e B1 para fala. Se for o seu caso, escreva por habilidade.
Como declarar sem exagero
- Pense no teste mais difícil possível. Se alguém ligasse agora e pedisse para você explicar seu trabalho em inglês por dois minutos, você conseguiria? A resposta ajuda a escolher entre intermediário e avançado.
- Separe as habilidades. Leitura, escrita, compreensão auditiva e conversação evoluem em ritmos diferentes. Se há diferença grande, mostre-a.
- Prefira a precisão ao título. "Inglês intermediário (B1), com leitura técnica na área de administração" diz mais do que "Inglês avançado".
- Evite "fluente" sem ter vivido o idioma em situações reais. A palavra pesa e atrai perguntas.
- Seja coerente nos lugares. O que está no currículo deve bater com o LinkedIn e com a fala na entrevista.
Passo a passo para descobrir seu nível antes de escrever
- Faça um teste de nível on-line ou numa escola e anote o resultado, sem se prender a ele como verdade absoluta.
- Leia um texto da sua área e veja quanto entende sem dicionário.
- Grave um áudio de um minuto falando sobre sua rotina profissional e ouça com atenção: travou? usou frases curtas ou longas?
- Peça a alguém que fale inglês para dar uma opinião honesta.
- Compare com a tabela e escolha o nível em que você se sente seguro, não o que gostaria de ter.
Como colocar curso de inglês no currículo
Na seção de formação complementar ou idiomas, informe o nome do curso, a instituição, o nível alcançado e o período. Exemplos de formato:
- Inglês, nível intermediário (B1) · Curso de idiomas · mês/ano a mês/ano
- Inglês, nível básico (A2) · Curso em andamento
Se o curso não indica um nível formal, escreva o que o último módulo concluído cobre. Evite listar só "curso de inglês" sem nível: o recrutador não consegue saber o que isso quer dizer.
Como colocar nível de inglês no LinkedIn
O LinkedIn tem uma seção de idiomas com graus de proficiência próprios, que vão de um nível elementar até o nativo ou bilíngue, passando por graus de competência profissional limitada e plena. Os nomes exatos podem mudar com as atualizações da plataforma e não coincidem com A1 a C2, então escolha o grau mais próximo e use a descrição do perfil para detalhar. Certificados de provas podem ir em licenças e certificados.
Currículo em inglês: como escrever o próprio nível
Se a vaga pede o currículo em inglês, a seção se chama Languages e o formato é curto: "English: Intermediate (B1)" ou "Portuguese: Native; English: Upper-intermediate (B2)". Evite traduções literais como "English: Medium", que não é usado para descrever nível. Se quiser separar habilidades, um modelo simples é "English: reading B2, speaking B1". Mantenha o mesmo nível nas duas versões do currículo: um recrutador que recebe as duas percebe a diferença na hora.
Teste de inglês para currículo: como comprovar quando pedirem
Algumas vagas pedem comprovação. As formas mais comuns são:
- teste aplicado pela própria empresa, escrito ou por conversa;
- certificado de prova de proficiência reconhecida;
- declaração de escola indicando nível ou módulo concluído;
- entrevista parcial ou total em inglês.
Cada empresa define o que aceita, e as exigências mudam, por isso leia a descrição da vaga e pergunte ao recrutador quando houver dúvida. Se o seu nível ainda é inferior ao pedido, prefira ser sincero: dizer que está em aprendizado e já tem um plano mostra mais maturidade do que um exagero descoberto depois.
Em vagas de cozinha e salão, conhecer a rotina, como a limpeza da caixa de gordura de restaurante, pesa tanto quanto comprovar o inglês.
Estudante em curso e as vantagens da carteirinha
Quem ainda está no ensino médio ou na faculdade costuma montar o primeiro currículo ao mesmo tempo em que paga curso, material e lanche, então cada economia conta. Um bom exemplo é o ingresso de cinema, teatro ou show: pela Lei 12.933/2013, o aluno regularmente matriculado paga metade, mas só enquanto durar a reserva de 40% das entradas de cada sessão ou evento. Para não perder essa vantagem, faz sentido solicitar a carteirinha antes de precisar dela e ler as condições de cada evento. Nada disso vai para o currículo, claro, mas sobra mais dinheiro para investir no próprio inglês.
Descubra onde você está com um teste de nível
Antes de preencher o campo de idioma, ajuda ter um ponto de partida medido por alguém de fora. Muitas escolas aplicam teste de nível na entrada; a Talkers Idiomas, por exemplo, faz essa avaliação e tem uma modalidade de curso de inglês online, a Home School, para quem não consegue ir até uma unidade. Mesmo que você não se matricule em lugar nenhum, o resultado serve para calibrar o que vai no papel.
Revise o texto antes de enviar
Releia o campo de idiomas pensando na pergunta que o recrutador faria em inglês e se você a responderia sem susto. Se a resposta for sim, o nível está bem declarado. Se for não, rebaixe um degrau no currículo e suba na próxima atualização, depois de treinar, em vez de arriscar a credibilidade do restante do documento.




